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                                              GIMO MENDES
               

GIMO REMANE MENDES nasceu em Mossuril na província de Nampula, mas viveu na Ilha de Moçambique onde cresceu influenciado pela diversidade musical fruto de um cruzamento de culturas dos vários povos que durante séculos passaram por aquelas terras.

Gimo R. Mendes, viveu e cresceu num ambiente de riqueza cultural, de história e de beleza natural. Muito cedo mostrou os seus dotes musicais tocando e trabalhando com grupos culturais dos bairros da Ilha e, desde 1974, embalado pelos ventos da revolução moçambicana, começou a compor músicas na sua língua materna. Gimo foi um dos primeiros músicos moçambicanos a compor e cantar músicas em macua para o público.

Músico convicto e determinado fundou em 1985, na companhia de Salvador Maurício e outros músicos daquela parte de Moçambique o conhecido grupo EYUPHURO. Inspirando-se nos diferentes rítmos e instrumentos tradicionais da Ilha de Moçambique, Eyophuro marcou a música moçambicana com um estilo único na música ligeira moçambicana.

Falar do Gimo Mendes é, para mim, falar da música e da cultura moçambicana.  A residir actualmente na Dinamarca onde prossegue a sua carreira de músico e artista, Gimo Mendes não para de surpreender a mim como moçambicano e apreciador da boa música. Depois de produzir e lançar “A Luz”, seu primeiro e belíssimo album a solo, provou ser um músico de mão cheia. Em 2007, foi galardoado com o prémio “Danish World Awards 2007” na categoria de melhor música do ano 2007 com o número “500 anos”, um trofeu que veio premiar um trabalho que só Gimo sabe fazer e que prestigia a música moçambicana além fronteiras.

Como artista, criativo e pensador surpreendeu-me, mais uma vez, ao fundar a associação “Artists Take Action” (ATA), uma associação de carácter cultural e humanitário onde Gimo Mendes procura juntar músicos, jornalistas e outras entidades do mundo da arte e cultura dinamarquesa para interagir com artistas moçambicanos. A “ATA” funciona assim como uma incubadora de ideias diversas para depois traduzí-las em projectos de desenvolvimento e  de combate a pobreza absoluta em Moçambique.

Gimo Remane Mendes é o artista que sabe conjugar as oportunidades que lhe são oferecidas pelo país de acolhimento (Dinamarca) e as potencialidades do seu pais de origem (Moçambique) e que juntando moçambicanos e dinamarqueses debaixo da ATA, espalha o  orgulho de ser moçambicano na diáspora.

Aspirine Katawala




DIZER POR DIZER: A “Luz” de Gimo em Pemba

Músico moçambicano apostana valorização das mulheres

Dinamarca: Gimo Remane nomeado para melhor artista africano

Gimo Remane, radicado na Dinamarca, é pela valorização de ritmos nacionais

Projecto com a Escola De Música

Regressarei, mas agora não estou a pensar nisso

Filho pródigio ajuda terra natal

Disco “A Luz”








  
OPINIAO:
DIZER POR DIZER:
A “Luz” de Gimo em Pemba


Chegou o disco que nunca vinha, depois de sabermos que existia. Sabíamos apenas que alguns tinham-no escutado por vias, diríamos, menos convencionais, e foi assim que a paciência e iniciativa de alguns amigos decidiram contactar Gimo Abdul Mendes Remane, para que não nos fosse tão mau quanto parecia.
Maputo, Sábado, 8 de Outubro de 2011. Notícias
 
O disco chegou e com ele nos apercebemos que, afinal, a “Luz”, o mais recente álbum deste artista moçambicano radicado na Dinamarca, igualmente primeiro como músico a solo, nasce, conforme ouvíamos, como o culminar de um longo período de formação e de experiência naquele país europeu, mas também de introspecção na sua longa carreira.

Eis que nos deixou uma grande discussão, pelo menos é isso que está a acontecer nos últimos dias desta semana, que marcaram a “presença” de Gimo em Pemba, que nos desviou dos problemas municipais que inventamos e parece que está a ficar cada vez mais visível à face verdadeira da nossa ousadia e assim nos deixa a nu a desnecessidade do que aconteceu.

O álbum, que está a ser escutado em grupo de amigos, marca assim o regresso de Gimo Remane ao mundo da música, com uma nova forma de compor à nossa maneira moçambicana, com acordes e novas harmonias, mas sem fugir do estilo que o caracterizou enquanto, tal como é conhecido, “pai do Eyuphuro”.

A “Luz”, na verdade, pretende deixar bem claro (como a luz) que as mensagens do rapaz da Ilha de Moçambique e o seu estilo musical estão enraizados nas suas origens de ilhéu e que quer cantar a vida e as gentes de Omuhipithi, que é o património da humanidade, mas num mundo globalizado.

Enquanto procuramos a melhor forma de controlar o disco, para evitar que seja pirateado, sugerimos a Gimo Remane que continue com o seu papel de promotor e difusor da cultura moçambicana em particular e africana em geral, sabendo nós, que se encontra actualmente em estúdio a gravar o seu próximo trabalho a solo, que alguém nos disse, tratar-se de algo dedicado inteiramente à África, dando assim conclusão a uma faina de cerca de 3 anos de investigação musical do nosso continente.

É que Gimo Remane, tal como Casimiro Nhusy, mais alguns por aí, fazem de facto diferença pelo facto de, estando a viver num outro mundo, em altas latitudes, não só ainda se lembram do seu país e das suas origens, como forçam a que os outros os consumam tal como eles são e descubram esta terra que a ignorância, que às vezes acompanha o desenvolvimento dos povos, não consegue localizar, aqui, nas baixas latitudes.

Força! E força, porque o país está cada vez mais carente de música para escutar, para alimentar o espírito de quem trabalha e pretende descansar. O país agora vive de partir palcos, de mostrar o traseiro ou abrir pernas. Somente! Estamos a viver apenas de insultos musicais, da falta de respeito tornada arte e na área perdemos o nosso “norte”, porque, tal como o desenvolvimento traz ignorância aos povos, o subdesenvolvimento, a seu modo, mantém os povos, outrossim, ignorantes.

Os primeiros pensam que não têm mais nada a saber e os últimos por não saberem o suficiente, cada frase daqueles é ordem, como tudo o que hoje é deseducado busca-se-lhe uma palavra: globalização.

O espaço é pequeno para discutir nada que seja na arena artística, por haver muitos preconceitos à volta, que pretendem impor uma nova língua musical e assim contrariar a riqueza e diversidade culturais, que Gimo, Casimiro e os poucos de que falei, são fiéis representantes.

E ainda há quem, representando departamentos estatais, pretende levar à discussão uma desnecessidade, como é o tema sobre a marrabenta, como que a sugerir que quanto mais ouvida e dançada uma arte, mais nacional é. Como se fosse obrigatório decidir sobre o que é ou nacional.

Vale dizer: se decidimos que a partir de hoje a rádio nacional deve pôr três vezes por turno, de três horas, determinado estilo musical, em cada emissor provincial, os nossos tímpanos se acostumarão das músicas que representam tal expressão cultural e não tendo outro recurso, tornamo-lo obrigatoriamente nacional. Que estratégica e estranha maneira de nacionalizar o local!

É gratificante saber que há quem, entretanto, aproveitando-se do aparente sossego em que vive, arranja-se tempo suficiente para pensar tranquilamente e assim produzir perfeição, para contrapor os nossos artistas que mais parecem um jornal diário, dizendo o que aconteceu ontem e espera-se aconteça amanhã; que cantam engarrafamento hoje nas duas faixas de determinada avenida e amanhã cantam o fluxo unidireccional da mesma avenida, porque tornou-se de um único sentido. Músicas que passam, que morrem, tal como uma notícia ou como acontece com a vida de uma borboleta.

Estamos é dizer, que perante esse tipo de artistas, que só lambem as botas de políticos, cantam verborreia revolucionária ou incitam à violência, conforme os apetites e inclinações políticas que lhes perseguem; cantam a sexualidade como se estivessem entre quatro paredes, não cantam o povo e nem trazem o sossego, que os ouvidos ávidos de se alimentar, gostariam que ouvissem, ainda nos resta alguma esperança. Disse, mas pode ser que tenha dito, apenas por dizer!   

• Pedro Navuo







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A comunidade mocambicana na Dinamarca.
O primeiro encontro dos mocambinos residentes em Dinamarca com seu Embaixador Sua Excelencia Sr. Pedro Comissario. (2008).





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Ilha de Moçambique dos 11 de Revereiro de 2009:

As Direcções de Educação, Juventude e Tecnologia e Saúde, Mulher e Acedo Social







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Maputo, Quarta-Feira, 1 de Agosto de 2007. Notícias

Caderno Cultural
 
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A música jovem está preguiçosa

MÚSICA - Faz-se muita música preguiçosa em Moçambique – Gimo Remane, radicado na Dinamarca, é pela valorização de ritmos nacionais


GIMO Mendes Remane é um artista moçambicano radicado na Dinamarca, para onde se deslocou há precisamente 16 anos. Foi o fundador, nos anos 1980, do Eyuphuru, grupo que conquistou desde logo a simpatia de muitos amantes da música a nível nacional bem como pelo mundo (tem o marco histórico de ter sido a primeira banda moçambicana a gravar um CD). Sempre que pode, Remane vem a Moçambique, dividindo a estadia entre a capital Maputo e a sua terra natal, a Ilha de Moçambique. Aprecia, de longe e de perto, o evoluir do país, incluindo na música, sua maior paixão. E quanto à esta, mostra-se crítico sobretudo por, segundo afirmou em entrevista recente ao “Notícias”, a maioria dos jovens, que na sua opinião “deviam ser os continuadores e os renovadores da moçambicanidade”, deixarem muito a desejar. Por um simples facto: ao invés de se mostrarem criativos, dada a vastidão de ritmos de que esta nação é rica, “sempre optam pela via fácil, privilegiando a tecla do computador ao invés de revolucionar o que de bom existe no norte, centro e sul”.

www.jornalnoticias.co.mz

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REPUBLICA DE MOÇAMBIQUE
MINISTERIO DA EDUCACAO E CULTURA
DIRECCAO NACIONAL DA CULTURA
 

CARTA ABONATORIA

A Polftica Cultural e Estratégias de sua implementaÇão estimula a participaÇão da sociedade civil na promoÇão cultural, criaÇão de innfra/estruturas para esse fim, apoio, organizaÇão e financiamento de programas culturais, bem como fazer das artes e cultura um instrumento de promoÇão do bem-estar e desenvolvimento económico e social.

As iniciativas de colecta de apoios e de investimentos para a área da cultura e outras de âmbito social, enquadram-se neste contexto.

Deste modo, e para efeitos de contactos com as diferentes entidades nacionais e internacionais interessadas, serve a presente enaltecer e abonar em favor do senhor Abdul Remane Antonio Mendes (ou simplesmente Gimo Mendes), no seu programa de angariaÇão de recursos em prol das artes, cultura e da sociedade em MoÇambique.

Maputo, 24 de Maio de 2007.

Av. 24 de Julho n° 167 - 14° Andar. - Te!' 21.490268 - Caixa Postal n° 34. drosario(a)mec.gov.mz MAPUTO

  




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Dinamarca : Gimo Remane nomeado para melhor artista africano

O MÚSICO moçambicano radicado na Dinamarca Gimo Remane Mendes, fundador e ex-líder do grupo Eyuphuro, foi recentemente nomeado para a categoria de Melhor Artista Africano – Dinamarca (DK) 2009, cuja indicação dos premiados está prevista para Outubro próximo.
A nomeação de Gimo Remane Mendes surge em reconhecimento do trabalho que tem desenvolvido naquele país europeu em prol da música africana.
Para a categoria de Melhor Artista Africano – DK 2009, segundo informações em nosso poder, foram nomeados nove artistas africanos radicados naquele país europeu, no âmbito da escolha anual realizada pela “Celebrate África”. De referir que esta é a terceira edição do certame que premeia os melhores artistas africanos na Dinamarca (Best African Achievements Awards).
Gimo Remane Mendes nasceu em Mossuril, província de Nampula, mas viveu na Ilha de Moçambique onde cresceu influenciado pela diversidade musical fruto de um cruzamento de culturas dos vários povos que durante séculos passaram por aquelas terras.
Viveu e cresceu num ambiente de riqueza cultural, de história e de beleza natural. Muito cedo mostrou os seus dotes musicais tocando e trabalhando com grupos culturais dos bairros da ilha e, desde 1974, embalado pelos ventos da revolução moçambicana, começou a compor músicas na sua língua materna. Foi um dos primeiros músicos moçambicanos a compor e cantar músicas em macua para o público.
Músico convicto e determinado, fundou em 1985, com Salvador Maurício e outros músicos daquela parte de Moçambique, o conhecido grupo Eyuphuro. Inspirando-se nos diferentes ritmos e instrumentos tradicionais da Ilha de Moçambique, Eyuphuro marcou a música moçambicana com um estilo único na nossa música ligeira.
Actualmente a residir na Dinamarca onde prossegue a sua carreira de músico e artista, Gimo Mendes não pára de surpreender aos moçambicanos e aos apreciadores da boa música. Depois de produzir e lançar “A Luz”, seu primeiro e belíssimo álbum a solo, provou ser um músico de mão cheia. Em 2007, foi galardoado com o prémio “Danish World Awards 2007” na categoria de melhor música do ano 2007 com o número “500 anos”, um troféu que veio premiar um trabalho que só Gimo sabe fazer e que prestigia a música moçambicana além-fronteiras.
Como artista, criativo e pensador fundou na Dinamarca a associação “Artists Take Action” (ATA), uma associação de carácter cultural e humanitário onde procura juntar músicos, jornalistas e outras entidades do mundo da arte e cultura dinamarquesas para interagir com artistas moçambicanos.
Gimo Remane Mendes é um artista que sabe conjugar as oportunidades que lhe são oferecidas pelo país de acolhimento (Dinamarca) e as potencialidades do seu país de origem (Moçambique) e que juntando moçambicanos e dinamarqueses debaixo da ATA espalha o orgulho de ser moçambicano na diáspora.
 
 

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MÚSICA - Faz-se muita música preguiçosa em Moçambique - Gimo Remane, radicado na Dinamarca, é pela valorização de ritmos nacionais

GIMO Mendes Remane é um artista moçambicano radicado na Dinamarca, para onde se deslocou há precisamente 16 anos. Foi o fundador, nos anos 1980, do Eyuphuru, grupo que conquistou desde logo a simpatia de muitos amantes da música a nível nacional bem como pelo mundo (tem o marco histórico de ter sido a primeira banda moçambicana a gravar um CD). Sempre que pode, Remane vem a Moçambique, dividindo a estadia entre a capital Maputo e a sua terra natal, a Ilha de Moçambique. Aprecia, de longe e de perto, o evoluir do país, incluindo na música, sua maior paixão. E quanto à esta, mostra-se crítico sobretudo por, segundo afirmou em entrevista recente ao “Notícias”, a maioria dos jovens, que na sua opinião “deviam ser os continuadores e os renovadores da moçambicanidade”, deixarem muito a desejar. Por um simples facto: ao invés de se mostrarem criativos, dada a vastidão de ritmos de que esta nação é rica, “sempre optam pela via fácil, privilegiando a tecla do computador ao invés de revolucionar o que de bom existe no norte, centro e sul”.
 
O ex-Eyuphuro faz esta constatação a partir do que ouve na maior tempo de antena dos vários canais radiofónicos de Maputo. Na sua opinião, grande parte dessa música espelha uma certa apatia da nova vaga de músicos em investigar ou mesmo recriar o património rítmico moçambicano. “Não tenho nada contra ninguém que compra um computador e programar os sons que o japonês fez para começar a cantar. Aliás muitos nem cantam, só falam com uma certa musicalidade. O que não aprecio é isso estar a passar como identidade musical moçambicana, porque não é”, desabafou.
A crítica de Gimo Remane não pára por aí, na medida em que os artistas catalogados como da nova geração “nem têm culpa no que estão a fazer, porque dominam o computador e têm uma curiosidade em cantar”. Ataca todo um sistema, desde as editoras medias e os promotores de música. “Gostaria de pedir à Rádio Moçambique, que é um canal público, para que se destaque na promoção da música que verdadeiramente identifica e promove Moçambique. Já provou que é capaz de fazer isso porque no passado assim foi. Os promotores de espectáculo também têm a sua quota parte, porque eles também podem muito bem ganhar se promoverem os artistas jovens e de outras gerações”.
O nosso entrevistado faz questão de dizer que não se interessa em conhecer os fazedores da música que critica, preferindo referenciar aqueles que, na sua opinião, “sabem valorizar a cultura moçambicana”. “Não interessa se tocam marrabenta ou os estilos do centro ou norte do país, porque não sou a favor de hoje em dia tocarmos como tocaram os nossos avós ou os nossos pais. Mas se as pessoas tiverem a entrega criativa de artistas como Jimmy Dludlu, Moreira, José Manuel, Djaaka e muitos outros que hoje aparecem ofuscados pelas nossas rádios e promotores de espectáculo”.
A viver na Dinamarca desde1991, Gimo Mendes Remane produziu e editou este ano o seu primeiro disco a solo, “Luz”, que junta oito temas cantados em português e macua, a sua língua materna. Sobre a obra e o porquê de ficar tanto tempo sem ir a estúdio, o artista explica: “às vezes precisamos de dar vários passos para chegarmos a um passo grande. Nem sempre somar discos é uma boa forma de estar na carreira. Prefiro mais o espectáculo que a entrada para o estúdio”.
O moçambicano trabalha na Dinamarca com um grupo que junta dez elementos, a Gimo Mendes Band. O disco que com eles fez é, para si, “o resultado dos meus anos de vivência lá. A minha filosofia na música é que ela deve ser mistura de arte e comunicação. E comunicação não significa ter recados ou algo a dizer à sociedade, mas sim expressar-me através daquilo que sei bem fazer”.
“Concretamente, abordo a minha experiência dinamarquesa e a nossa vida cultural em Moçambique. Penso que neste momento, em que a globalização é algo que vem com uma força muito maior à que imaginámos no passado, Moçambique tem muita cultura para identificar-se e impor-se no mundo. É necessário que isso seja percebido o mais rapidamente possível. Ficarei muito triste se, por acaso, num dia, num canal de televisão ou mesmo num fórum internacional, aquela música ou aquele vazio rítmico a que muitos jovens aspirantes a músicos se dedicam fossem rotulados de estilos moçambicanos. Isso não tem nada de identitário”, aponta.
Falando da sua experiência neste aspecto, o artista aconselha os mais jovens a tentarem, no máximo, serem originais. “Sempre lutei para me valorizar a mim a partir da minha cultura. Há muita coisa boa que se esses jovens não fossem preguiçosos podiam seguir. Eles não são aculturados, mas estão-se a aculturar, na medida em que deixam os estilos que identificam as suas tradições para se basearem apenas nos sons que os japoneses programaram para o computador”, repisa, acrescentando que “o músico tem que ser criativo e a criatividade não é simplesmente adicionar voz ao que uma tecla do computador já faz”.
 
 

PROJECTO COM A ESCOLA DE MÚSICA
 
Durante duas semanas Gimo Remane e Lance D`Souza, director do World Music Center da Dinamarca orientaram um curso de formação de professores de música em acto que teve lugar no Sindicato Nacional de Jornalistas sob égide do World Music Center (WMC).
Esta iniciativa fazia parte de um projecto conjunto entre o World Music Center (WMC) e a Escola Nacional de Música em Maputo(ENMM).
O referido curso, segundo explicou Remane era a implementação da segunda fase do projecto- “Raizes- Reforçando a Educação de Música para crianças e jovens em Maputo”-  que contempla quatro etapas.
Tratou-se de uma fase tida de capital importância, em que  dez professores de escolas de diversas da capital do país Maputo recebem aulas práticas de música. As sessões funcionam como workshops e todos os alunos que foram submetidos receberão vários instrumentos musicais.
Gimo Remane que na entrevista fazia-se acompanhar por Lance D`Souza e dois professores mostraram o seu  optimista quanto aos resultados a alcançar.
“com esta formação, estamos a activar o ensino de música em Moçambique. Sabemos que o país precisa de professores de música, a partir da base. Tenho esperança que este projecto irá mudar significativamente o  quadro actual, nem que seja a médio e longos prazos”.
Gimo explica que os professores em número de dez, são oriundos de algumas escolas de Maputo, excepto dois que vieram da Escola Nacional de Música.
Por seu turno, Lance D`Souza, alinha no mesmo diapasão a afirmar que é importante que os professores tenham ferramentas para poderem transmitir os seu conhecimentos as crianças.
BREVES NOTAS DE GIMO REMANE
Gimo Remane Mendes nasceu em Mossuril na província de Nampula, mas viveu na Ilha de Moçambique onde cresceu influenciado pela diversidade musical fruto de um cruzamento de culturas dos vários povos que durante séculos passaram por aquelas terras.
Gimo Remane viveu e cresceu num ambiente de riqueza cultural, de história e de beleza natural. Muito cedo mostrou os seus dotes musicais tocando e trabalhando com grupos culturais dos bairros da Ilha e, desde 1974, embalado pelos ventos da revolução moçambicana, começou a compor músicas na sua língua materna. Gimo foi um dos primeiros músicos moçambicanos a compor e cantar músicas em macua para o público.
Músico convicto e determinado fundou em 1985, na companhia de Salvador Maurício e outros músicos daquela parcela do país. Mais tarde entraram na banda Eyuphuru Zena Bacar.
 

 
REGRESSAREI, MAS AGORA NÃO ESTOU A PENSAR NISSO

Aventa a hipótese de regressar definitivamente? Questionamos. E a resposta foi: neste momento eu estou preocupado em conseguir uma credencial por parte do Governo para que eu possa captar apoios para o meu país. Gostaria de apoiar os jovens artista em instrumentos musicais, bem como para as escolas de música, para a formação musical. Mas gostaria de regressar quando criar condições mínimas para cá trabalhar, como sabe tenho família, tenho compromissos de trabalho. No meu regresso gostaria de contribuir com algo nobre no desenvolvimento do meu país”.
Como um músico preocupado em difundir a imagem dos nossos artistas, ele tem no espaço nobre da câmara onde vive Gimo Remane um quadro do pintor Malangatana, encomendado precisamente por conselho de Gimo Remane. Depois do “marketing” que vem fazendo sobre o nosso país, foi-lhe pedido que indicasse um artista nacional a quem pudessem encomendar um trabalho que espelhasse a cultura moçambicana.



FILHO PRÓDIGIO AJUDA TERRA NATAL

A pensar nas dificuldades da sua terra natal, Mossuril distrito da Ilha de Moçambique, Gimo fundou uma associação de carácter cultural e humanitária: chama-se “Artists Take Action” (ATA), onde este cantor procura apoios sensibilizando médicos, artistas, jornalistas, políticos e outras entidades para interagir com artistas moçambicanos. A “ATA” possui ideias que as concretiza através de um plano de combate a pobreza no Moçambique.
Por conseguinte, Gimo Remane Mendes é o artista que sabe conjugar as oportunidades que lhe são oferecidas pelo país de acolhimento (Dinamarca) e as potencialidades do seu pais de origem (Moçambique) e que juntando moçambicanos e dinamarqueses debaixo da ATA, espalha o  orgulho de ser moçambicano na diáspora.
Desta acção filantrópica, o nosso entrevistado conseguiu diverso material que foi acondicionado num contentor e que foi posteriormente despachado para Maputo. Trata-se de camas hospitalares, colchões, cadeiras de rodas, computadores, instrumentos musicais, material desportivo e outros.
Nota curiosa aponta para o facto de o referido contentor ter chegado ao país em Novembro, todavia, só semana foi possível desalfandega-lo graças a intervenção do próprio músico bem como de alguns  responsáveis do Governo, aos quais Gimo Remane, aproveitou a ocasião da entrevista para lhes endereçar uma mensagem de apreço.
Entretanto, dentro de dias aquele material chegará finalmente às mãos das pessoas carenciadas.
 

 
DISCO “A LUZ”

Sobre o grupo que fundou há anos na Dinamarca, “Gimo Mendes Band”, ele explica que dissolveu, porque naquele país não é fácil juntar e mante-las permanentemente num grupo. “O que funciona muito são os projectos musicais, em que os artistas se juntam para um evento especifico. Se alguém pretende apresentar num show, convida instrumentistas de acordo com o estilo musical que pretende apresentar, vai, por exemplo, pegar um baterista, um percussionista, um guitarrista, um baixista, um trompetista etc.”
Falando sobre os meios tecnológicos que “facilitam a vida” a muitos artistas jovens, o entrevistado observa que os novos talentos apesar valorizar a cultura, eles precisam de usar mais instrumentos musicais. Os computadores ajudam, por um lado, mas também podem desenvolver uma certa preguiça na pesquisa e produção de obras de qualidade”.
Acerca do seu disco “A Luz”, o cantor revela que o  titulo inicial deste CD era “Luz”. Mas por um erro da editora, a capa acabou saindo com o titulo “A Luz”. Esta obra fez com colegas dinamarqueses, mas que nos remete aos sons da Ilha de Moçambique e um pouco da nossa costa norte. Nesta obra, ele deixa-se revelar que apesar da distância Gimo não se dissocia da sua cultura, não obstante, se sinta a influência nórdica, como não deixaria de ser, claro. São 16 anos.